7 de novembro de 2012

Milhares de gregos protestam contra pacote de austeridade em Atenas.

O maior confronto entre manifestantes e a polícia grega em mais de um ano teve canhões de água e coquetéis molotov nesta quarta-feira (7), na praça Syntagma, do lado de fora do Parlamento. Não há relatos de feridos em Atenas até o momento. Segundo a polícia, pelo menos 35 pessoas foram detidas e quatro tiveram problemas respiratórios.
Cerca de 100 mil gregos agitaram bandeiras e cantaram "Lutem! Eles estão bebendo nosso sangue" na praça em frente ao Parlamento grego, onde legisladores devem votar um impopular pacote de cortes orçamentários e reformas trabalhistas para evitar a falência das contas públicas do país.
A violência eclodiu por volta das 15h15 (horário de Brasília), quando alguns manifestantes tentaram romper a barreira policial para entrar no Parlamento o que levou a polícia a responder com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral e, pela primeira vez em um protesto anti-austeridade, com canhões de água.






 
Dentro do Parlamento, a sessão foi interrompida por um breve período pelos próprios trabalhadores da Casa, que entraram em greve para protestar contra uma cláusula que cortaria seus salários. Em uma humilhante reviravolta, o governo foi obrigado a cancelar a medida para permitir que a sessão fosse retomada.
"Hoje nós vamos votar se permanecemos na zona do euro ou se retornamos ao isolamento internacional e atendemos à falência completa", disse o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, em seu um último apelo aos legisladores aprovar as medidas.
O país precisa aprovar as medidas para desbloquear a ajuda financeira que tem a receber para evitar a falência. O debate final e a votação estão previstos para a meia noite local (21h de Brasília).
Os parlamentares debatem cortes salariais e aumentos de impostos no valor de € 13,5 bilhões até 2016. Se aprovado, o pacote irá destravar uma parcela de mais de € 31 bilhões de ajuda da UE (União Europeia) e do FMI (Fundo Monetário Internacional).
Fora do Parlamento, manifestantes encapuzados atiravam coquetéis molotov e pedras contra a polícia. Focos de fumaça e de pequenos incêndios pontuavam a praça e ruas próximas à casa legislativa.
"Essas medidas estão nos matando pouco a pouco e legisladores lá não dão a mínima", disse Maria Aliferopoulou, 52, mãe de dois filhos que vive com mil euros por mês. "Eles são ricos e têm tudo. Nós não temos nada e estamos lutando por migalhas, pela sobrevivência".
"Você vive em constante medo e incerteza. Você nunca sabe o que está esperando por você ao virar da esquina", disse Panos Goutsis, 58, que trabalha em uma loja de pequeno canto em Atenas. "Quantas vezes eles nos dizem estas são as últimas medidas? Estamos cansados ​​de ouvir isso."
GREVE DE 48 HORAS
É o segundo dia consecutivo da paralisação de 48 horas convocada pelos sindicatos em protesto às novas medidas de austeridade. A paralização afeta principalmente a indústria, os bancos, a administração pública, as escolas, os centros de saúde e os transportes terrestre e marítimo.
Apoiados pela oposição de esquerda, sindicatos dizem que as medidas vão afetar os pobres e poupar os ricos e aprofundar a recessão de cinco anos que cortou um quinto da produção grega e levou o desemprego para 25%.
"As políticas do resgate são completamente catastróficas, escandalosamente absurdas, uma falha total", disse Alexis Tsipras, chefe do partido de oposição ao resgate Syriza, em entrevista ao jornal "Efimerida Syntakton".
APROVAÇÃO DO PACOTE
A votação sobre os cortes nos salários e aumentos de impostos previstos em € 13,5 bilhões é o maior teste para Samaras desde que ele chegou ao poder, em junho. Os mais de € 31 bilhões em ajuda vão ajudar a fortalecer os bancos em dificuldades e pagar a dívida pública do país no final do mês. Um "não" hoje seria um desastre para a Grécia.
Samaras deve ter uma vitória apertada no Parlamento, com cerca de 155 dos 300 votos do Parlamento, apesar de algumas deserções de sua frágil coalizão governista.
Mais cedo, o comissário da UE para assuntos econômicos e monetários, Olli Rehn, pediu ao Parlamento grego para fazer a sua parte e aprovar as medidas, garantindo a próxima parcela do resgate. 
Fonte:FS