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6 de outubro de 2012

Acabou com a minha vida', diz mãe de jovem atropelada em Santos

Ana Carolina morreu na segunda-feira, uma semana após o acidente.
Atropelamento causou mobilização por doação de sangue em redes sociais.

Protesto em memória de Ana Carolina reuniu dezenas de pessoas em Santos, SP (Foto: Mariane Rossi/G1)Protesto em memória de Ana Carolina reuniu dezenas de pessoas em Santos, SP (Foto: Mariane Rossi/G1)
 
Dezenas de pessoas se reuniram, na manhã deste sábado (6), na Praça das Bandeiras, em Santos, no litoral de São Paulo, para fazer uma manifestação relacionada com a morte de Ana Carolina Teixeira. A jovem, de 21 anos, foi atropelada do dia 23 de setembro e o motorista do veículo fugiu sem prestar socorro.
A mãe de Ana Carolina, Glaucia Copia, chegou a ação com diversos ramalhetes de rosas brancas que foram distribuídas entre os parentes e amigos da jovem. Segundo Glaucia, a ação pede paz e mais cuidado no trânsito. “O que a gente quer é passar uma mensagem de que as pessoas precisam ser mais conscientes no trânsito. Eles pegam o carro inconscientemente”, diz ela.
A mãe da vítima disse que irá lutar para que o condutor do veículo que atropelou sua filha tenha punições mais severas. “A vida da minha filha não vale 10 cestas básicas. Ele tem que ficar preso. É um assassino como outro qualquer. Ele acabou com a minha vida, ele tirou a única coisa que eu tinha. Meu coração já não está pulsando mais”, disse.
Ela conta que a própria filha não tinha carteira de motorista porque priorizava a utilização da bicicleta para reduzir a poluição na cidade. Para Glaucia, a jovem foi mais uma vítima da violência no trânsito. “Constantemente tem alguém perdendo o filho no trânsito. Esse caso não pode ser mais um a cair no esquecimento. Ele (condutor) vai ser muito punido. Quem sabe assim as leis de trânsito comecem a mudar”, afirmou.

Manifestantes levaram cartazes para pedir punição (Foto: Mariane Rossi/G1)
Manifestantes levaram cartazes para pedir punição
ao motorista (Foto: Mariane Rossi/G1)

Todas as pessoas que estavam presentes na ação vestiram uma camiseta com a foto de Ana Carolina com a frase “Por aqui andei e amor semeei”. Segundo Angélica Goudinho, amiga da jovem há mais de 10 anos, a frase simboliza o que fez Ana Carolina enquanto estava viva. “A intenção é fazer uma homenagem a Carol porque ela foi uma luz na vida de todo mundo. Foi uma benção nas nossas vidas. Ela passou e deixou muita alegria. Queremos conscientização no trânsito mesmo. É por isso que a gente luta”, disse.
Por volta das 11h, os participantes da ação fizeram um círculo em volta da praça das Bandeiras e rezaram pela garota. Eles também levaram faixas e cartazes e percorreram vários trechos da Avenida Ana Costa protestando contra a morte da jovem.

Enterro
No enterro da jovem, que aconteceu na última segunda-feira (1), no Cemitério do Saboó, em Santos, o sentimento de revolta estava presente entre amigos e familiares da vítima. "Infelizmente parece que a vida não tem mais valor. Parece que é só uma palavra. A morte dela não pode ficar como mais um número na estatística. Não pode cair no esquecimento. O cara não teve nenhuma decência de ligar para o resgate. A família precisa procurar um advogado para dar sequência ao processo. A história não pode morrer com ela", disse Luiz Henrique Nalin, um dos amigos mais próximos da garota.

As imagens captadas por câmeras de monitoramento da Rua Governador Pedro de Toledo mostraram toda a ação. Na gravação é possível identificar que um carro prata atingiu Ana Carolina. Porém, segundo a Polícia Civil, outras provas ajudaram a polícia a encontrar o proprietário do carro que pode ter atropelado a jovem Ana Carolina Teixeira. De acordo com o delegado Jair Mazetto, o veículo foi encontrado em uma oficina mecânica de Santos, onde passava por reparos. O carro apresentou vários sinais que apontam uma colisão, já que está com o capô amassado, sem o farol do lado direito e com o para-brisa quebrado.

Mãe da adolescente atropelada em Santos esteve no protesto (Foto: Mariane Rossi/G1)
Mãe da adolescente atropelada em Santos esteve
no protesto (Foto: Mariane Rossi/G1)

Durante as investigações, o que mais chamou a atenção da polícia é que um boletim de ocorrência de furto foi registrado um dia depois do atropelamento. No documento, os proprietários do veículo afirmavam que o carro tinha sido roubado no dia que Ana Carolina foi atropelada. "Temos indícios de que o carro não foi furtado. Acreditamos que houve uma falsa comunicação de crime e estamos apurando. Temos imagens do automóvel dentro de um prédio, o que mostra que o carro estava na posse do proprietário. As imagens também irão para a perícia", explicou o delegado. Segundo Mazetto, o condutor poderá responder pelos crimes de homicídio culposo, omissão de socorro, fuga do local do acidente e falsa comunicação de crime.

A advogada do proprietário do veículo, Flávia Leardini, esteve no 7º Distrito Policial no para conversar com o delegado, mas não quis comentar o caso. Por enquanto, o condutor do veículo ainda não se apresentou na delegacia.
A polícia já ouviu uma testemunha considerada importante para a solução do caso. O homem, que preferiu não ser identificado, afirma que viu o carro que teria atropelado a garota chegar ao prédio de madrugada. “Eu vi o carro prata, o Logan, com a frente amassada, farol quebrado, o para-brisa estilhaçado, entrando na garagem do prédio que fica na praia. Foi por volta de 5h15, 5h20”, disse ele.
Ana Carolina Cópia Teixeira (Foto: Angélica Goudinho/Arquivo Pessoal)
Ana Carolina Cópia Teixeira (Foto: Angélica
Goudinho/Arquivo Pessoal)
Caso e mobilização
 
Ana Carolina Teixeira, de 21 anos, foi atropelada no dia 23 de setembro quando voltava do trabalho, por volta das 4h. Ela foi surpreendida por um veículo em alta velocidade na rua Governador Pedro de Toledo. O motorista que estava no carro não prestou socorro à vítima, que foi levada para a Santa Casa de Santos e passou por uma cirurgia por causa de um traumatismo craniano. A jovem permaneceu internada mais de uma semana na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital em coma induzido, até sofrer uma parada cardíaca e morrer.
Na último dia 26, amigos de Ana Carolina se mobilizaram em uma rede social para conseguir doações de sangue e em um dia, 59 pessoas foram até o hospital doar sangue em nome dela. Em uma das mensagens colocadas na rede social, mais de 2 mil pessoas compartilharam a ação. Segundo a Santa Casa de Santos, o acidente com a jovem mobilizou um número recorde de doadores na cidade. Foi o maior movimento dos últimos cinco anos no local.


Fonte: G1

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